25 de mai. de 2011

HappyBday.

Tenho um grande problema com mágoas... Eu só digo as coisas que me afetam emocionalmente quando não há mais dor (e alguém já me falou isso também...). Mas quando lembro, ainda me sinto triste. A ponto de querer me afundar novamente...
O impacto que as coisas causam não é substituível... Ele simplesmente finge desaparecer, mas está sempre lá, esperando que fique fraco novamente...

Todos os meus aniversários eu penso em apenas uma coisa: não faze-lo novamente.
Eu detesto as ligações, os sorrisos falsos soletrando f e l i c i d a d e s ... Os presentes indesejáveis, tudo.

Bom, eu havia discutido com o que deveria chamar de pai... (não me sinto à vontade chamando-o assim). Eu tinha sido grosso com ele, mas não conseguia controlar meu humor por conta das pílulas de "testosterona". Ele já sabia que isso ia acontecer, só quis bancar a vítima e demonstrar toda a imaturidade que, infelizmente, eu herdei. Não consigo me lembrar de tudo que ele dissera, porque minha mente (felizmente!) faz questão de esquecer coisas do genero, para que eu possa olhar na cara da pessoa após o fato. Irei tentar resumir.
"Voce é minha filha, e não tem direito nenhum de ficar estressada ou algo assim. Você nem tem idade pra isso! - Eu ignorei. Depois virei para ele e perguntei o porque me chamava como mulher naquele momento. -Porque voce é minha filha, e não nenhuma merda de Kaíque ou sei lá o que. Eu te conheci assim e voce é assim. - Respirei fundo e desisti. Dei o braço a torcer... Não tenho cabeça pra discutir com seres cujo corpo envelheceu mas a mente é confundida com a de uma criança. Apenas suspirei fundo, lentamente e disse: Está tudo bem. Eu estou errado. Eu vou mudar isso. E só."
Lembro de querer chorar, gritar, espernear, socá-lo, xingá-lo, odiá-lo com toda a minha força. Lembro de querer sair correndo, de fugir, de sumir... de morrer, enfim. Eu não fiz. Fiquei olhando para a parede como um ponto fixo, único na minha mente, de engolir a seco como se estivesse engolindo cada lágrima que ousava brotar em meu rosto... Eu lembro bem disso. Ele chamou minha madrasta, eu tive que sorrir. E depois perguntou se é pra me tratar como homem mesmo. Ficamos conversando como se aquilo não tivesse acontecido, como se fôssemos uma família normal... Mas não somos, e a culpa é minha, por ser essa aberração. Ou ao menos foi isso que minha vó disse um dia... Mas isso não vem ao caso, eu realmente não ligo para as coisas que saem da boca dela.
Voce me ligou, acho que já avisando que saíra do curso ou algo assim, não lembro, desculpe. E então eu verdadeiramente sorri. Fazíamos 4 meses, né? 3 meses... Tanto faz, o que importava é que eu veria voce. Entrei no carro, após outra longa conversa e um sms teu. Fomos ao seu encontro, abri a porta para ti e... nenhum abraço. Um dia normal, né? As imagens do ano passado (era exatamente ano passado nesse dia) me vieram a cabeça e apenas sorri. Voce estava ali, nao estava? O que mais eu poderia querer? Um beijo, um feliz aniversário? Mas eu não prefiro morrer do que viver mais um ano? Então não devo reclamar disso.

Não estou mais afim de falar sobre esse dia, ele acabou aí.

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