Me deparar com um casal encubado de bicicleta perguntando se sou homem ou mulher. Eles riam, riam como se rissem do diabo despedaçando servos de deus. Estou de saco cheio disso.
Ignorei e continuei andando. Fui seguido. Os dois continuaram a casoar, até que peguei uma pedra e acertei um deles. Corri. Mas, chegando na esquina, resolvi encarar o problema de frente. Iria socar a cara deles como se fossem pedaços de pano prestes a serem queimados. Ah, como eu quero socar a cara deles. Quebrar todos os dentes e depois fazer um cordão pra alguém, quem sabe até ganhar dinheiro com isso.
Mas eles pararam e começaram a fazer piadas, mas estavam putos o suficiente para rir. Eu quase surtei. Fiquei paralisado de ódio, mas pude ver a tenue linha entre insanidade e a sanidade. Imaginei cabeças rolando, imaginei que no meu bolso tivesse meu antigo canivete... E aí a vida seria mais divertida.
Mas voltei pra casa, com as mãos nos bolsos.
Um dia eu não serei mais essa criatura inútil, infantil e mimada. Eu juro, eu prometo... Um dia todos vão saber meu nome, pois eu entrarei para a história catastrófica desse país. Eu vou mudar a vida de muitas pessoas, pra pior. Todos reconhecerão minhas duas bolas de gude verdes no anoitecer... Eu vou fazer alguma coisa, e voce nunca vai se esquecer de mim. Nem que eu tenha que pintar meu nome com o sangue alheio nas paredes de um hospício, não, voce nunca se esquecerá de mim e do que eu poderia ser.
Estou farto.
Eu vou fugir de casa.
E vão me dar por morto.
Mas eu não estarei.
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