2 de jul. de 2011

A última carta.

Estou sobre o muro. De um lado há dor e do outro o fim dela.

Para meus pais.
Me perdoem por ser isso, por fazer voces perderem muito tempo, por fazer voces se preocuparem e se odiarem. Por criar caos na família, por não ser a garotinha loira dos olhos verdes que jamais faria mal a alguém. Me perdoem por jamais ter dado motivos de que se orgulhassem de mim. Me perdoem por sempre ser nada e sempre, sempre ohar pro meu próprio umbigo. Voces são pessoas maravilhosas, talvez eu seja o maior erro que já cometeram. Eu não pedi por isso, me desculpem, me desculpem. Voces ainda tem uma longa vida pela frente, uma vida certa e coerente... Desfrutem dela e apenas esqueçam o que eu fiz voces passarem.

Eu jamais serei alguma coisa, eu jamais serei eu, eu jamais serei alguém.

E eles ainda dizem... Espere, espere, vai dar tudo certo. Não tem como algo dar certo se isso já veio torto.
Quando um produto vem quebrado, geralmente nós devolvemos antes que perca a garantia. A minha já passou, não tem como mostrar algum tipo de gratidão, não tenho mais nada em troca pra voces. Mais uma vez, me perdoem.

Me arrependo amargamente por ter contado isso a voces. Eu deveria ser apenas eu, quieto e calado como sempre, no meu canto, apenas observando e ignorando qualquer dor sentida.

Não consigo mais crer em nada, e muito menos ter motivos para alguma coisa. Eu só quero deixar de existir, eu só quero que fiquem em paz. Voces fizeram o suficiente nesses poucos meses, eu acredito em voces. Mas eu não consigo mais. Está tudo dando errado... mas no fim das contas, eu sou o único errado aqui. As coisas estão todas em seu perfeito estado... eu sou o único indo contra a multidão. Mas eu cansei.

A vida é cruel e a dor é esmagadora para os que não aprenderam a respirar.
E só agora eu me dei conta do peso de existir.

Eu sou um grande erro, não há lugar para erros no mundo. Já tem demais disso. E está mais do que na hora de partir... Sabe se lá pra onde, apenas vou jogar esse peso nas costas do vento e deixar que a morte faça o resto. Que me deixe ir pra bem longe do meu corpo.

Não sei se alguém vai ler isso,
não sei se vou conseguir abandonar esse plano,
entretanto...
eu deixo claro aqui que desisto.
Caso eu falhe em morrer,
serei apenas como qualquer um estranho que passe por voce
invisível.

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